Viúvo namoro

Finalmente Criei coragem de postar... Senta que lá vem história.

2020.09.30 13:42 DarkDollynho Finalmente Criei coragem de postar... Senta que lá vem história.

Eu tenho acompanhado a comunidade faz algum tempo, e antes de escrever o que preciso quero agradecer por vcs existirem e estarem dispostos a compartilhar e receber historias de todos os tipos e cantos.
Vamos lá!
Sou o clássico guri dos anos 90 que vibrou com o penta, jogou super Nintendo e agora ta beirando os 30 anos.
Sofro com depressão e ansiedade desde que me entendo por gente, sinceramente não sei se vem da situação familiar ou se é algo crônico.
A real é que meus pais (como boa parte das famílias dos anos 70,80 e 90) não se amam e nunca se amaram (muita gente se juntava por necessidade mesmo) e acho que isso pode ter influenciado um pouco na forma como vejo o mundo.
Meu pai tinha um casamento, do qual ficou viúvo e desse casamento 4 filhos (3 usam drogas e 1 desapareceu).
Ele então se casou com minha mãe e eu nasci (em seguida outros 2 irmãos), convivi com 1 dos meus irmãos por parte de pai que sempre deu problemas, desde uso de drogas, porte de arma, roubos, etc.
Bom exemplo foi algo complicado durante a infância, pois minha mãe vivia tretando com meu pai por conta desse meu irmão, que não é filho dela, até entendo.
Meu pai sempre desconfiou que minha mãe havia/estava traindo ele, e desde os meus 8 anos meu pai me usava como psicólogo dele, desabafando e jogando todo tipo de pensamento na minha cabeça.
Eu era bem religioso (não sei se era uma fuga) e cresci com isso, entre caraminholas da cabeça do meu pai e tentar ser uma criança.
Eu tbm fui abusado por um cara conhecido da família. Não quero entrar nesse mérito.
Sempre apanhei muito pra aprender matemática (nunca aprendi de fato) enquanto convivia com meus irmãos e tal.
Quando cheguei nos 16 anos mais ou menos a aposentadoria do meu pai foi cortada, ele já com idade avançada e minha mãe tbm, meti a cara trabalhar.
Pagava meus próprios cursos e comia 1 pacote batata palha no almoço pra economizar dinheiro.
Passei por empregos porcarias, que nem vou adicionar a historia, mas que tenha certeza que contribuíram negativamente na minha vida.
Conheci minha ex namorada na igreja, ficamos juntos por muito tempo.
Eu sempre quis ser o namorado perfeito, daquele que dizia: "se minha namorada não pode ir comigo, aquele lugar não eh pra mim." (talvez um erro sobre individualidade)
Foram 8 anos bacanas, entre altos e baixos na minha família sempre coloquei minha ex em primeiro lugar.
Trabalhava pra ela poder estudar e fazer faculdade(eu tbm estudava), levava ela pra todo canto quando precisava, ajudava com trabalhos, treinava ela pra entrevistas, pagava cursos...
Até que conseguimos entrar na empresa dos sonhos (ela primeiro, eu dps) de qualquer pessoa da área de TI (ambos na msm empresa)... Volto nesse ponto dps, muito importante.
Nesse meio tempo uma das minhas irmãs drogadas por parte de pai apareceu, com 1 filha recém nascida... Ela estava presa e perdeu a guarda da criança.
Então lá vai eu ajudar meu pai a conseguir a guarda, entre visitas a outro estado pra ver a neta e dinheiro para advogado. (o advogado morreu durante o processo mano)
Conseguimos a guarda, minha irmã saiu da cadeia e fez da nossa vida um inferno (ainda faz, ainda estamos criando uma criança que não tem pai e tem uma mãe drogada).
O relacionamento dos meus pais que já era ruim, piorou, eu no meio dessa merda toda já tinha tentado o suicídio 2x...
Nessa época comecei a perceber que minha ex não se preocupava comigo como eu me preocupava com ela, ela não se importava com minha saúde mental, não se importava com a minha pessoa, a sensação era que ela tinha se acostumado seja com a boa vida, seja com a constância que a vida tinha tomado.
Eu tinha juntado dinheiro para irmos pra outro país fazer intercambio, pensava em pedir ela em casamento la, 9 anos de namoro já era bastante... Ela não se empenhou em absolutamente nada, parou no tempo. quando ela não conseguiu o visto simplesmente não se importou.
Ela tinha arrumado um amigo na empresa, e foi aqui que a merda bateu de vez no ventilador.
Ideias de balada gay entre ela e o amigo apenas (ele assumidamente gay), viagens entre apenas os dois. Eu concordava, mesmo me remoendo de ciúmes por dentro. Sempre prezei pelo "Eu confio, eu a conheço". (meus amigos diziam que eu era otário por tratar ela tão bem, fazer de tudo)
Nesse tempo eu já fazia acompanhamento psicológico e psiquiátrico (minha psiquiatra era mais amor que minha psicóloga).
aguentei quase 1 ano disso, desistimos da viagem, comprei 1 casa ao invés de viajar (ela nunca quis sequer visitar o imóvel), após uma transa ela simplesmente começou a chorar e disse: Quero terminar.
Foi bizarro. Absurdamente bizarro.
Eu estava no extremo na minha vida pessoal com minha família, e meu porto seguro era o relacionamento (não dos melhores, mas estava ali há bastante tempo), neguei propostas de emprego fabulosas pra ficar com ela e isso agora?
Decidi seguir em frente, tendo crises de pânico e ansiedades como nunca antes, com a família SEMPRE dizendo, isso é falta de Deus, isso é frescura, esses remédios estão te matando, isso é falta de vergonha na cara, conheço pessoas que se mataram e quem se mata não avisa....
Nesse meio tempo minha psiquiatra (que era melhor que minha psicóloga) morre em um acidente de carro, ainda não superei.
3 semanas depois minha ex assume o namoro com o "amigo", moramos a 1km do outro, trabalhamos em uma empresa em outra cidade e temos que pegar ônibus juntos e trabalhamos no mesmo prédio com diferença de 1 corredor.... Se ela me traiu ou não tem a ver com a índole dela e não com a minha. Eu segui em frente, não sinto nada por ela, mas a depressão e a tristeza parecem não ter fim. Já era grande durante o relacionamento. Sozinho, sem ter com quem contar (é difícil conversar sobre isso com as pessoas) tem piorado muito.
hoje me encontro aqui, sem forças pra conhecer pessoas novas, sem forças pra por fim ao meu sofrimento, sem forças pra acreditar no setembro amarelo de pessoas falsas, sem forças pra ser eu.
Desculpem o texto grande, muita coisa ficou de fora pois acho que o texto já está cansativo, mas o problema é que eu estou cansado tbm. De remédio, de lagrimas, de tristeza...
E me sinto pior por ter superado o mundo, alcançado o sonho de muita gente com emprego bom, falar outra língua, ter casa própria, moto...
Me sinto mesquinho por não dar valor a nada disso depois de tudo que passei...
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