Namorar enquanto o preto

Pensamentos interpolados...

2020.11.28 02:28 daily_changing Pensamentos interpolados...

Olá a todos, primeiramente quero dizer que eu sou uma pessoa fraca no que toca à expressão própria, e no que toca a "desabafos", por isso o que eu escrever pode ser confuso ou até incongruente por vezes e por isso peço já desculpa.
Isto irá ser sobre indecisões, questões sobre o futuro e a capacidade de mudar, ou não mudar.

Quero começar por dizer que estou num momento dificil da minha vida, não me sinto exatamente bem, nem comfortável, e isso afeta demasiado o meu dia-a-dia. Eu sempre achei que se soubesse o "porquê" de estar assim, que iria achar a "solução", infelizmente não é bem assim, e acho que nunca foi, no passado eu tratava o ato de achar o "porquê" como a "solução" em si, ou seja, se soubesse o problema então agora já estava bem, não fazia nada para mudar a situação, nem para a melhorar, ora então, o problema continuava, e começava a ficar maior e maior, até chegar a um momento onde eu já não o conseguia mais ignorar. E é isso que se passa, eu ignorei problemas, bastantes, esperando que eventualmente as coisas iriam ficar melhores, e ora bem, não ficaram, lógicamente. Eu estou bastante consciente onde a minha vida se encontra neste momento, e sendo "rude", está na merda. Está má. Está continuamente a descer e eu não a consigo parar. Eu gosto de usar esta frase :" Sinto-me num buraco, escuro e frio, com uma escada, e quanto mais eu a escalo, mais o buraco se escava a si próprio." Para mim isto quer dizer que apesar de a pessoa estar a subir a escada, não produz efeito, porque o buraco fica cada vez maior e maior.. o "normal" da minha vida está no topo do buraco, mas eu não consigo lá chegar.
Eu sempre me perguntei, há 3/4 anos, o que é que o futuro me reserva, o que é que está lá à minha espera, e tenho de dizer que nunca imaginei que fosse isto. Olhando para trás, para 3/4 anos atrás, eu "acho" que era feliz, tinha pessoas que gostava, gostava da escola, sentia-me optimista, motivado..e isso tudo mudou em principios de 2019 por uma razão que muitos podem chamar de "estúpida", "pequena", "inofensiva", mas para mim não foi nada disso. A pessoa com quem eu estava a namorar, deixou-me, e ok, normal, acontece várias vezes no mundo, as relações acabam. Correto, mas a mim afetou-me bastante, ao ponto de eu deixar a universidade, ao ponto de perder várias amizades. Eu não estava pronto, era demasiado imaturo, tomova por certa a relação e não a tentei melhorar, levando ao que aconteceu. Não me culpo inteiramente a mim, tal como no inicio fazia, mas culpo as falhas de comunicação, de motivação, dos dois na relação. O que eu culpo inteiramente em mim foi a minha eu ter sido tão fraco, tão imaturo, que mesmo após um ano ainda me afetava o fim da relação. Eu penso que isso foi um dos momentos que levou ao que se passa agora. Era o começo da universidade, tinha amigos, estava num curso interessante, e foi tudo por água abaixo porque fiquei deprimido, não saia de casa, não falava com ninguém. Custou-me bastante dizer aos meus pais que iria sair do curso porque não queria lá estar, eu sei que eles querem o meu bem, e que lhes custa pagar tudo, por isso fiquei muito magoado, a chegar ao ponto de me ressentir bastante.
Eu acho que todos temos algo neste mundo, um "propósito". Não digo um propósito mistico, de Deus, porque eu próprio não acredito, mas um propósito de vivermos a vida, gostarmos de viver, deixarmos a nossa marca. E todos deixamos a nossa marca, não importa se és um Einstein, um Marx, um Pitágoras, um Tesla..etc, todos iremos deixar algo, todos temos pessoas que querem saber de nós, se não agora, no futuro ou no passado, e nós de alguma forma tocámos essas pessoas, de uma forma ou outra, fazendo-as felizes, ou tristes, zangadas, com saudade... Todos nós merecemos viver, felizes, comfortáveis, e o nosso maior inimigo, por vezes, somos nós. Nós próprios cancelamos a nossa felicidade. Mas atenção, que eu não acho que querer ser feliz sempre, todos os momentos seja algo bom, ou realista também, por exemplo a tristeza, é algo essencial na vida, temos de ter o branco com o preto para realmente apreciarmos a vida, isto na minha opinião. Sentir-me triste não é algo exclusivamente mau.
O que eu quero dizer, sem deviar do assunto em si, é falar sobre : Será o peso da culpa e da ansiedade de uma mentira uma razão para evitar contar a mentira? - Eu minto, tal como todos as pessoas o fazem, mas a mentira que eu digo, leva-me para momentos maus. Eu sai do primeiro curso que frequentei, e entrei noutro, inicialmente feliz, inicialmente a pensar que algo iria ser diferente, e foi, no inicio mas após esta pandemia, e as aulas online começarem, eu parei de assistir às aulas, parei de fazer os trabalhos, e chumbei a bastantes cadeiras. Mesmo agora, minto e digo que estou no curso enquanto não vou a aula alguma. Porque é que eu faço isso? Porque eu verdadeiramente não gosto do curso, eu não quero estudar isto, mas não tenho a coragem de chegar aos meus pais e dizer isto, porque sinto medo, medo de me olharem com um olhar desapontado, triste, zangado. Eu sei que é dificil para eles pagarem a universidade, e eu dizer que não quero lá estar...seria mau. Seria melhor eu contar, sair do curso, tentar achar trabalho e ajudar e depois entrar em algo que gosto? Seria, claro. Mas falta-me a coragem, e não sei até onde consigo levar esta mentira. Algo que podem perguntar também, é o porque de eu ter ido para o curso no primeiro lugar. E bem, um pouco por "desespero" de entrar em algum, mas também porque a minha familia não possui o dinheiro para mudar de cidade, e eu entrar numa universidade dessa cidade, por isso estou um pouco restringido a uma só cidade. E claro, porque nao trabalhar um ano e tentar ir fazendo um "part-time" na cidade para onde for, e isso lembra-me de algo que a minha mãe me disse que foi "Não sabes fazer nada, vais trabalhar onde", quando lhe falei sobre trabalhar. E não estou zangado com ela, porque, de certa forma é verdade, o que é que eu realmente sei fazer? Claro que existem trabalhos fáceis iniciantes para começar, mas naquele tempo, levei a peito o que me foi dito, e fiquei quieto em casa. Eu queria estar a estudar outra coisa, mas penso que agora é "tarde demais" para realizar isso. Ainda vou a tempo? Claro, tenho 20 anos. Mas as mentiras, e os problemas estão a criar uma bola de neve demasiado grande que penso não conseguir parar, e quando ela explodir...
Se alguém leu até aqui, eu entendo que seja dificil de entender e ver o que eu quero passar, e explicar, e se houver interesse em "debater" ou esclarecer algo, os "pm's" estão abertos, mas ai está, para mim o que eu escrevo e digo na minha cabeça faz completo sentido, mas isso é porque eu sei todo o significado das minhas palavras, e tenho as memórias que se ligam a estas frases, e completam o sentido delas, o que vocês não possuem. Por isso que é sempre dificil eu falar e me explicar, porque irá sempre ser algo pessoal e intrapessoal, e trazer esses pensamentos para fora é dificil. Não sei se irei escrever algo mais no futuro, porque, apesar de aqui ter falado bastante, está muito espalhado o que quero dizer, apesar de não parecer, houve coisas que me doeram a escrever, porque me lembro do que passei no momento, e em letras, e frases, essa "melancolia" não é implicita.
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2019.08.09 11:50 jwachowski Divisor de águas

Eu nunca acreditei muito nessas coisas esotéricas. Eu diria que sou agnóstico, para usar uma palavra que está em alta ultimamente. Meu negócio sempre foi a razão acima da emoção e todos aqueles clichês que ateuzinho de internet costuma falar. E como emoção e espiritualidade andam de mãos dadas eu acabei nunca dando muita atenção a esse aspecto da minha vida.
Na verdade, eu sempre procurei não discutir coisas que não tem como mudar. Coisas como o passado, religião, convicção política e futebol. Para que ficar esquentando a cabeça discutindo ou brigando se cada um só procura aquilo que acredita mesmo? Isso até eu conhecer Érica, minha atual namorada.
Eu acho que a Érica é a típica jovem mística daquelas que param no meio da estrada para tirar foto do pôr do sol, curte umas músicas estranhas e tem um monte de cristais e pedras espalhadas no quarto. No dia em que nos conhecemos numa festa da faculdade, ela pediu para ler minha mão e eu tenho que confessar que se não fosse ela, eu não deixaria e como um bom ateuzinho eu até desdenharia mas aqueles olhinhos brilhantes e aquele sorriso branco me pegaram de um jeito tão certo quanto o destino que ás vezes é o mesmo caminho que se escolhe trilhar. Tão certo quanto o dia que procede a noite trazendo consigo a deusa que nasce das brumas do mar.
Nessa leitura que ela fez da minha mão, ela me disse que o rio da minha vida teria um grande divisor de águas que iria mudar o modo como eu via a mundo. Só agora na hora de escrever é que lembro dessas palavras porque naquele momento eu só pensava mesmo era em tirar aquele batom escuro da boca dela com mil e um beijinhos. E para não perder a oportunidade eu soltei uma cantada dizendo que era ela meu divisor de águas, ou melhor, era ela meu máximo denominador comum. Nós ficamos naquela noite e um tempo depois começamos a namorar.
Agora que já falei sobre ela posso começar a contar porque escrevo esse relato hoje. Eu faço faculdade de Tecnologia da Informação e costumo voltar tarde da noite para casa. Nesse dia eu estava levemente cansado. Os vários copos de café não estavam mais surtindo efeito em meu organismo. E o pior foi meu professor que resolveu passar um desafio de última hora para turma: criar um bot em Python que respondesse automaticamente no mensageiro instantâneo e o primeiro que acabasse receberia como prêmio metade da média do semestre. Embora eu estivesse acabado pelo sono encarei sem medo o desafio.
Comecei a digitar loucamente e por um instante eu tive a impressão de que meus dedos se mexiam sozinhos. Tipo, já estava acostumado a digitar rápido pela prática mas isso foi um pouco diferente. Eu tive a impressão de não ser mais eu mas ao mesmo tempo era eu. Então por um outro momento eu vi apenas o monitor e tudo a minha volta meio que se escureceu. Eu via apenas os códigos a minha frente.
Quando voltei daquele pequeno transe eu tinha acabado de escrever o código e quando apertei o enter para testar o programa, o bot respondeu com a mensagem: “SIGA O COELHO BRANCO”. Apertei novamente o enter. E novamente “SIGA O COELHO BRANCO”. Que loucura era aquela? Eu tinha programado o bot apenas para responder olá mundo. O sono ou todo aquele café que eu tomei talvez tenha mexido com a com minha cabeça.
Ao sair da faculdade entrei no meu carro e segui em direção a casa da Érica como fazia algumas vezes por semana. Parei no primeiro sinaleiro e para minha surpresa quando olhei para o lado tinha um carro branco com sem ninguém dirigindo. De primeira, e depois do susto, eu pensei que poderia ser um teste de carro autônomo que andam fazendo por aí mas quando o sinal abriu e o carro passou na minha frente uma coisa me chamou a atenção. Tinha um adesivo de coelho branco no vidro escuro do carro. Quando vi esse adesivo me deu um estalo, algo que eu nunca tinha sentido. O sinal ficou verde e o ímpeto de seguir o coelho foi mais forte.
Enquanto seguia o carro eu pensava na loucura que eu estava fazendo. Mas eu já não estava mais em mim. Segui aquele carro até entrar numa rua sem saída. O carro branco então parou no final dela. Também parei o meu lado do carro sem motorista. Quando olhei pelo retrovisor, óbvio que tinha dado merda, um carro preto tinha acabado de parar na entrada da rua. Agora fodeu. Eu vou ser sequestrado. Pensei de dentro do carro.
Nesse mesmo momento meu celular toca, então olho para a tela e vejo: NÚMERO DESCONHECIDO. O telefone se auto atende com o viva voz ligado. Uma voz de mulher diz. “Não saia do carro”. Nisso dois homens de preto saíram do carro preto que fechava a saída.
O telefone se emudeceu e logo em seguida o carro branco acelerou de ré indo em direção ao carro preto. Ouvi o estrondo alto da colisão e a rua ficando limpa. “AGORA SAIA! DEPRESSA!” A voz no celular falou comigo novamente. Engatei a primeira marcha, dei a volta na rua e acelerei para cima dos dois homens de preto que estavam no meio da rua. Enquanto virava pela primeira esquina que me apareceu, deu para ver os dois carros quase que fundidos pelo impacto que o coelho branco deu para afastar o carro da saída daquela rua.
Fui direto para a casa da Érica. Chegando lá, abro a porta da sala. Tudo escuro. Acendo a luz e vou direto ao quarto dela. Quando abro a porta, o quarto estava iluminado por algumas velas e Érica estava com os olhos abertos e estáticos sentada em posição de meditação. Ao me ver, ela se levanta e vai até a escrivaninha, pega um lápis e papel, rascunha alguma coisa muito rapidamente e me entrega voltando ao para o mesmo lugar que estava meditando. Eu saí do quarto para ver melhor o que ela tinha escrito e quando olho para o bilhete, uma linha de código em Python. A mesma linguagem de programação que eu usei para escrever o bot durante a aula.
Sentei no sofá da sala e liguei meu notebook. Abri código fonte do programa e inseri a linha de comando que eu tinha acabado de receber. Passei o aplicativo para o celular, instalei e abri a interface do mensageiro instantâneo. Digitei “Olá Mundo” para testar e enviei a mensagem em seguida. E o que deveria ser um bot me respondeu:
— Olá, meu nome é Samantha. E eu vim dividir o rio da sua vida.
Texto no Medium
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2019.08.09 11:50 jwachowski Divisor de águas

Eu nunca acreditei muito nessas coisas esotéricas. Eu diria que sou agnóstico, para usar uma palavra que está em alta ultimamente. Meu negócio sempre foi a razão acima da emoção e todos aqueles clichês que ateuzinho de internet costuma falar. E como emoção e espiritualidade andam de mãos dadas eu acabei nunca dando muita atenção a esse aspecto da minha vida.
Na verdade, eu sempre procurei não discutir coisas que não tem como mudar. Coisas como o passado, religião, convicção política e futebol. Para que ficar esquentando a cabeça discutindo ou brigando se cada um só procura aquilo que acredita mesmo? Isso até eu conhecer Érica, minha atual namorada.
Eu acho que a Érica é a típica jovem mística daquelas que param no meio da estrada para tirar foto do pôr do sol, curte umas músicas estranhas e tem um monte de cristais e pedras espalhadas no quarto. No dia em que nos conhecemos numa festa da faculdade, ela pediu para ler minha mão e eu tenho que confessar que se não fosse ela, eu não deixaria e como um bom ateuzinho eu até desdenharia mas aqueles olhinhos brilhantes e aquele sorriso branco me pegaram de um jeito tão certo quanto o destino que ás vezes é o mesmo caminho que se escolhe trilhar. Tão certo quanto o dia que procede a noite trazendo consigo a deusa que nasce das brumas do mar.
Nessa leitura que ela fez da minha mão, ela me disse que o rio da minha vida teria um grande divisor de águas que iria mudar o modo como eu via a mundo. Só agora na hora de escrever é que lembro dessas palavras porque naquele momento eu só pensava mesmo era em tirar aquele batom escuro da boca dela com mil e um beijinhos. E para não perder a oportunidade eu soltei uma cantada dizendo que era ela meu divisor de águas, ou melhor, era ela meu máximo denominador comum. Nós ficamos naquela noite e um tempo depois começamos a namorar.
Agora que já falei sobre ela posso começar a contar porque escrevo esse relato hoje. Eu faço faculdade de Tecnologia da Informação e costumo voltar tarde da noite para casa. Nesse dia eu estava levemente cansado. Os vários copos de café não estavam mais surtindo efeito em meu organismo. E o pior foi meu professor que resolveu passar um desafio de última hora para turma: criar um bot em Python que respondesse automaticamente no mensageiro instantâneo e o primeiro que acabasse receberia como prêmio metade da média do semestre. Embora eu estivesse acabado pelo sono encarei sem medo o desafio.
Comecei a digitar loucamente e por um instante eu tive a impressão de que meus dedos se mexiam sozinhos. Tipo, já estava acostumado a digitar rápido pela prática mas isso foi um pouco diferente. Eu tive a impressão de não ser mais eu mas ao mesmo tempo era eu. Então por um outro momento eu vi apenas o monitor e tudo a minha volta meio que se escureceu. Eu via apenas os códigos a minha frente.
Quando voltei daquele pequeno transe eu tinha acabado de escrever o código e quando apertei o enter para testar o programa, o bot respondeu com a mensagem: “SIGA O COELHO BRANCO”. Apertei novamente o enter. E novamente “SIGA O COELHO BRANCO”. Que loucura era aquela? Eu tinha programado o bot apenas para responder olá mundo. O sono ou todo aquele café que eu tomei talvez tenha mexido com a com minha cabeça.
Ao sair da faculdade entrei no meu carro e segui em direção a casa da Érica como fazia algumas vezes por semana. Parei no primeiro sinaleiro e para minha surpresa quando olhei para o lado tinha um carro branco com sem ninguém dirigindo. De primeira, e depois do susto, eu pensei que poderia ser um teste de carro autônomo que andam fazendo por aí mas quando o sinal abriu e o carro passou na minha frente uma coisa me chamou a atenção. Tinha um adesivo de coelho branco no vidro escuro do carro. Quando vi esse adesivo me deu um estalo, algo que eu nunca tinha sentido. O sinal ficou verde e o ímpeto de seguir o coelho foi mais forte.
Enquanto seguia o carro eu pensava na loucura que eu estava fazendo. Mas eu já não estava mais em mim. Segui aquele carro até entrar numa rua sem saída. O carro branco então parou no final dela. Também parei o meu lado do carro sem motorista. Quando olhei pelo retrovisor, óbvio que tinha dado merda, um carro preto tinha acabado de parar na entrada da rua. Agora fodeu. Eu vou ser sequestrado. Pensei de dentro do carro.
Nesse mesmo momento meu celular toca, então olho para a tela e vejo: NÚMERO DESCONHECIDO. O telefone se auto atende com o viva voz ligado. Uma voz de mulher diz. “Não saia do carro”. Nisso dois homens de preto saíram do carro preto que fechava a saída.
O telefone se emudeceu e logo em seguida o carro branco acelerou de ré indo em direção ao carro preto. Ouvi o estrondo alto da colisão e a rua ficando limpa. “AGORA SAIA! DEPRESSA!” A voz no celular falou comigo novamente. Engatei a primeira marcha, dei a volta na rua e acelerei para cima dos dois homens de preto que estavam no meio da rua. Enquanto virava pela primeira esquina que me apareceu, deu para ver os dois carros quase que fundidos pelo impacto que o coelho branco deu para afastar o carro da saída daquela rua.
Fui direto para a casa da Érica. Chegando lá, abro a porta da sala. Tudo escuro. Acendo a luz e vou direto ao quarto dela. Quando abro a porta, o quarto estava iluminado por algumas velas e Érica estava com os olhos abertos e estáticos sentada em posição de meditação. Ao me ver, ela se levanta e vai até a escrivaninha, pega um lápis e papel, rascunha alguma coisa muito rapidamente e me entrega voltando ao para o mesmo lugar que estava meditando. Eu saí do quarto para ver melhor o que ela tinha escrito e quando olho para o bilhete, uma linha de código em Python. A mesma linguagem de programação que eu usei para escrever o bot durante a aula.
Sentei no sofá da sala e liguei meu notebook. Abri código fonte do programa e inseri a linha de comando que eu tinha acabado de receber. Passei o aplicativo para o celular, instalei e abri a interface do mensageiro instantâneo. Digitei “Olá Mundo” para testar e enviei a mensagem em seguida. E o que deveria ser um bot me respondeu:
— Olá, meu nome é Samantha. E eu vim dividir o rio da sua vida.
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2019.04.18 06:42 trafans Assexualidade

Vejo que mesmo aqui pouco se fala sobre esse assunto. Mais algum assexual por aí? Ou alguém querendo aprender?
O que é assexualidade? Bom, não há um entendimento único e universal, mas no geral entende-se como a ausência de atração sexual ou a falta de interesse em práticas sexuais com outras pessoas (não decorrente de problemas médicos, psiquiátricos, reações a medicamentos, etc.).
O que não é assexualidade? Como dito, consequências de transtornos (como transtorno do desejo sexual hipoativo) ou tratamentos médicos (antidepressivos são conhecidos por afetar a libido), celibato ou abstinência sexual (que são atos voluntários, muitas vezes motivados por questões religiosas), frescura/medo de sair do armário como homo/uma fase/falta de conhecer a pessoa certa/trauma/não ter feito um sexo bom/etc (falar que é "uma fase" é o maior clássico).
Quantos assexuais existem? O mais comum é ouvir que 1% das pessoas são assexuais. Na famosa Escala de Kinsey, 1,5% dos homens foram considerados como categoria X (sem reações ou contatos socio-sexual), mas não se considerava a atração sexual em si. Em pesquisas mais recentes, Anthony Bogaert chegou ao número de 1% de pessoas que não sentiam atração sexual na Grã-Bretanha. No Brasil, uma pesquisa da Folha de 2010 aponta 7% das pessoas com nenhum interesse em sexo. Porém grande parte desse número eram viúvos, o que dificulta a interpretação dos dados nesse sentido.
Como assexuais podem ser felizes sem sexo? Simples, não dá pra sentir falta do que você não sente haha
Sobre atrações sexual, romântica e física: Ao não sentir atração sexual ou não querer fazer sexo com outras pessoas, mas ainda sim se apaixonar ou se sentir atraído aos outros de alguma forma, foi necessário distinguir o que a maioria das pessoas engloba numa única coisa. Pois veja, a ideia prevalente é de que as 3 coisas andam juntas: achar o corpo/rosto de alguém bonito, a vontade de transar com a pessoa e a vontade de ficanamoracasar. Claro que ninguém vai sentir vontade de casar com todo mundo que achar bonito, mas a ideia que se tem de gostar de alguém envolve, a princípio, as 3 coisas. Como diria Rita Lee, "amor sem sexo é amizade". Até que surgem aqueles que gostam (ou amam), mas sem sexo. Diante dessa aparente contradição, foi necessário discretizar as coisas, de onde esses conceitos se fazem úteis. De modo geral, pois cada pessoa sente de um modo diferente, a atração sexual seria a vontade, ou o desejo, de fazer sexo com alguém. A atração romântica seria a pura paixão, ou o desejo de se ter uma relação íntima com alguém. E a atração física, o mero sentimento de achar alguém bonito, desde aquela segunda olhada ao ver a pessoa até ficar excitado. Sim, uma coisa acaba influenciando a outra, mas são 3 sentimentos distintos. Dentro dessa perspectiva, assexuais só não sentem a atração sexual, podendo, assim, achar outras pessoas fisicamente atraentes e/ou se apaixonando, ou querer estar em um relacionamento.
Sobre libido: Dentro dessa perspectiva sexual, a libido (ou desejo) aparece como a vontade de satisfazer essa atração sexual com alguém. Assim, pode parecer contraditório um assexual ter libido. O que diferenciaria do conceito comum é a parte de estar "direcionada" a alguém, nesse caso estando contida em si, digamos. Desse jeito muitos assexuais ficam excitados e se masturbam, mas acaba aí, não tem a necessidade de envolver outra pessoa diretamente.
Sobre espectros, intensidade, área cinza e porquê "a" não é exatamente o oposto de "hétero/homo/bi/pan": A diferença entre hétero/homo/bi/pan está na relação do sexo/gênero entre as pessoas envolvidas, assim tem-se um espectro homo-hétero em polos opostos, com bi/pan englobando os dois lados. Mas um assexual simplesmente não está nessa escala, pois elas tratam de por quem se sente atração, não o quanto se sente, ou ainda, assexuais não sentem, enquanto o resto sente. Daí nasce o espectro assexual-sexual. É muito comum o termo allosexual, que representa quem não é assexual, mas "a" tem o sentido de negação também, o que leva a "não-não-sexual", eliminando a dupla negativa chega-se a "sexual". Voltando ao espectro, agora sim é algo mais coerente com o sentir e o não-sentir. De um lado quem sente, do outro lado quem não sente. Da própria natureza dos espectros, há algo entre dois polos, e esse algo foi conceituado como o que não se encaixa na assexualidade de forma "estrita", mas que aparentemente não está na mesma intensidade que quem está na sexualidade "plena". Por exemplo, alguém que passa meses ou até anos sem sentir atração sexual - ao mesmo tempo que a pessoa não é totalmente assexual, ainda tem uma sexualidade, mas mais "sutil" que a maioria das pessoas no lado sexual. Dessa consideração entre assexualidade-área cinza-sexualidade, surge a própria bandeira assexual. O preto, o cinza, o branco e o roxo. O roxo como cor da comunidade.
Sobre atrações primária, secundária e demis: Dentro do universo gray o caso mais conhecido são os demissexuais. Sentir atração após formar um forte laço afetivo. Na busca por mais conceitos que explicassem os comportamentos associados à atração, chegou-se a essa ideia de duas atrações distintas. A primária é aquela sentida imediatamente. A aparência, o cheiro, uma troca de olhares, um toque, uma cantada... tudo o que leva um até então desconhecido a ser atraente se encaixa. A secundária é a que vem com o tempo, através da amizade, carinho, confiança, admiração, comprometimento... Não é por todas as pessoas próximas que um demissexual vai sentir atração, mas é uma condição básica, de modo que com um desconhecido simplesmente não existe essa atração. Quanto tempo esse laço emocional leva para se formar? Não existe um tempo mínimo ou máximo. Pode ser questão de um mês, pode ser questão de um ano. Ou mais, ou menos. Não dá para predizer.
Duas matérias sobre para quem quiser ler mais: TAB - Assexuais (UOL) e Quem são os assexuais: relatos de brasileiros que não se interessam por sexo (BBC). E a tese de doutorado "Minha vida de ameba": os scripts sexo-normativos e a construção social das assexualidades na internet e na escola, da recém-falecida Elisabete de Oliveira, maior pesquisadora do assunto no Brasil. Bônus: Elisabete no programa "Gabi Quase Proibida" - Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4.
OBS: Faltou tempo, ainda vou escrever mais, mas podem contribuir ou fazer perguntas.
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