Referências australianos

Questionamentos ao maior estudo de cloroquina

2020.06.03 01:59 RafaelHonorato01 Questionamentos ao maior estudo de cloroquina

O que acham dos questionamentos que foram feitos ai maior artigo científico que analisou o uso de Cloroquina? Viram isso?
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Quais os questionamentos ao maior estudo realizado sobre a cloroquina
Camilo Rocha01 de jun de 2020(atualizado 01/06/2020 às 20h26)
Carta assinada por 140 pesquisadores contesta metodologia e dados de levantamento com 96 mil pacientes de covid-19. Periódico faz correções, mas diz que elas não comprometem conclusões
FOTO: DIEGO VARA/REUTERS
AMOSTRAS DE DIFOSFATO DE CLOROQUINA DISTRIBUÍDAS PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE
O maior estudo já feito a respeito dos efeitos da cloroquina e da sua derivada hidroxicloroquina em pacientes com covid-19 está sendo contestado por especialistas em alguns de seus aspectos. Amplamente divulgado pela imprensa, o levantamento publicado em 22 de maio analisou dados de 96 mil doentes de vários países.

Do total, 14.888 pacientes haviam recebido algum tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina, sozinhas ou em combinação com outros remédios. Segundo o estudo, em todas as situações houve aumento no risco de morte e de arritmias cardíacas graves. A conclusão do trabalho foi de que a “segurança e benefícios” da cloroquina e sua derivada hidroxicloroquina tiveram “avaliação ruim” quando usadas no tratamento da covid-19.

Encabeçado por Mandeep R. Mehra, do centro cardiovascular da Escola de Medicina de Harvard, a pesquisa foi publicada e revisada pela revista médica britânica The Lancet, referência mundial.

Na sexta-feira (29), 140 médicos e pesquisadores de diversos países (nenhum brasileiro) enviaram uma carta à Lancet na qual pedem transparência com relação à metodologia, aos dados e ao processo de revisão do estudo. “Os autores [do estudo] não aderiram a práticas que são padrão nas comunidades de aprendizado de máquina e estatística. Não divulgaram seu código ou dados”, afirmaram os cientistas. Os pesquisadores solicitaram ainda que o trabalho fosse validado por um comitê independente apontado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

A publicação da pesquisa motivou a OMS a suspender estudos clínicos com a hidroxicloroquina. A França alterou a recomendação para uso de hidroxicloroquina no tratamento com covid-19 e interrompeu testes após a divulgação do estudo. Outros países europeus também vetaram o uso do remédio.

Diversas pesquisas anteriores, realizadas com grupos menores de pacientes, já haviam apontado que o remédio não surtia efeito contra o novo coronavírus. Fabricada há mais de 80 anos, a cloroquina e sua derivada hidroxicloroquina são tradicionalmente receitadas a pacientes com malária, artrite reumatóide e lúpus.

ÍNDEXTudo sobre Coronavírus no Nexo
GRÁFICOQual o material mais eficaz para máscaras, segundo este estudo
EXPRESSOAté quando será necessário adotar o isolamento social?
O presidente Jair Bolsonaro e seu colega americano Donald Trump defenderam o uso da cloroquina como tratamento para covid-19 ao longo da pandemia. No Brasil, o remédio passou a ser recomendado pelo Ministério da Saúde para doentes em todos os estágios da covid-19, em 20 de maio. A medida é uma orientação, e a decisão final de receitar é dos médicos, com autorização do paciente.

No domingo (31), a Casa Branca comunicou que o governo americano mandou duas milhões de doses de hidroxicloroquina para o Brasil.

O que os cientistas apontam
A carta ao Lancet lista dez aspectos problemáticos da pesquisa. Abaixo estão alguns dos principais pontos:

Falta de informações a respeito dos hospitais que forneceram dados de pacientes usados no levantamento ou identificação dos países onde estão localizados. A base de dados pertence a uma empresa americana chamada Surgisphere, especializada em análise de dados de saúde, que negou acesso às informações solicitadas pelos pesquisadores, alegando questões contratuais com governos. O presidente da Surgisphere, cirurgião vascular Sapan Desai, é coautor do estudo.
Segundo os pesquisadores, dados sobre África contidos no estudo indicam que quase 25% de todos os casos de covid-19 e 40% de todas as mortes no continente ocorreram em hospitais associados ao Surgisphere, com sistemas eletrônicos sofisticados de coleta de dados e monitoramento de pacientes, o que segundo os pesquisadores não condiz com a realidade. “Tanto o número de casos e de mortes, e a coleta de dados em detalhes, parecem improváveis”, diz o texto da carta.
Dados relativos à Austrália não são compatíveis com relatórios das autoridades, e incluíam “mais mortes hospitalares do que haviam ocorrido em todo o país durante o período do estudo”. Também registravam muitos casos para apenas cinco hospitais. A Surgisphere explicou que, neste caso, houve um erro que classificou um hospital da Ásia como sendo australiano. Para os pesquisadores, isso indica a necessidade de revisão em todo o banco de dados.
Na visão dos cientistas, diversas características dos casos analisados (severidade da infecção, dose utilizada, efeitos temporais), chamados “fatores de confusão”, jargão da estatística para variáveis que podem levar a interpretações distorcidas, não foram considerados de forma adequada.
Um dos signatários da carta, James Watson, cientista sênior do Centro de Pesquisa de Medicina Tropical Mahidol Oxford, teve seus questionamentos a respeito da análise estatística do estudo reproduzidos em um blog da universidade de Columbia, nos EUA.

Segundo ele, o fato de o estudo registrar uma mortalidade de quase o dobro em pacientes que receberam cloroquina ou hidroxicloroquina em comparação aos que não receberam é algo inusitado. A proporção é muito maior do que a observada em estudos anteriores sobre o medicamento.

Watson também chama a atenção para o fato de o estudo ter apenas quatro autores, “o que é estranho para um estudo global em 96 mil pacientes”. Segundo o cientista, estudos com esse perfil na medicina em geral são desenvolvidos em grupos colaborativos, e podem chegar a ter entre 50 e 100 autores.

FOTO: DIEGO VARA/REUTERS

FUNCIONÁRIO DE HOSPITAL EM PORTO ALEGRE MOSTRA PÍLULA DE CLOROQUINA. MINISTÉRIO DA SAÚDE AMPLIOU USO DO REMÉDIO PARA CASOS LEVES
“Não estou acusando os autores/empresa de dados de qualquer coisa desonesta, mas como eles quase não dão detalhes sobre o estudo e ‘não podem compartilhar os dados’, é preciso analisar as coisas de uma perspectiva cética”, escreveu.

O tempo levado pelos pesquisadores para a conclusão do trabalho também foi considerado atípico. Em pouco mais de cinco semanas, os autores analisaram dados de dezenas de milhares de pacientes, escreveram o artigo e passaram pela revisão por pares da revista Lancet.

O que dizem os autores do estudo
“As análises foram realizadas com cuidado e as interpretações fornecidas foram avaliadas intencionalmente. Estudamos um grupo muito específico de pacientes hospitalizados com covid-19 e declaramos claramente que os resultados de nossas análises não devem ser interpretados para aqueles que ainda não desenvolveram a doença ou para aqueles que não foram hospitalizados”, afirmou Sapan Desai, presidente da Surgisphere e coautor do estudo publicado na Lancet. Ele ressaltou que as limitações de um “estudo observacional” foram destacadas e reafirmou a conclusão de que o uso da cloroquina fora do contexto de testes clínicos não era recomendável.

No sábado (30), a revista científica publicou duas correções ao estudo, mas afirmou que “não houve alterações nas conclusões do artigo”. Ao New York Times, uma representante da publicação disse que mais atualizações serão fornecidas conforme necessário. “O Lancet incentiva o debate científico e publicará as respostas ao estudo, juntamente com uma resposta dos autores, na revista no devido tempo”, afirmou.

Um representante do doutor Mandeep R. Mehra, professor de Harvard que encabeçou o artigo, declarou que os autores da pesquisa pediram uma revisão acadêmica independente e uma auditoria do estudo.

Método científico
Pesquisas científicas são apresentadas ao mundo por meio de artigos em publicações científicas. Antes de serem publicadas, esses artigos são revisados por pares, etapa na qual especialistas naquela determinada área verificam a solidez do estudo, dos experimentos, da metodologia e das conclusões obtidas.

No entanto, mesmo uma pesquisa revisada por pares continua aberta a discussões e contestações, em um processo completamente normal e esperado na esfera científica. Muita dela poderá ser provada simplesmente errada. A pesquisa revisada é “conhecimento provisório, talvez verdadeiro, talvez não”, definiu o estatístico da universidade de Columbia e analista de pesquisa Andrew Gelman, em um artigo sobre o estudo da Lancet.

Um movimento chamado Ciência Aberta defende uma prática científica que disponibiliza informações em rede, pela internet, com o objetivo de que estas sejam acessíveis a toda a comunidade, incluindo universidades, instituições financiadoras e outros pesquisadores.

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2020.03.22 21:29 loslan FAKE NEWS (reportado p/ Revista EXAME e Jornal Estadao) - A renomada Universidade Stanford, nos EUA – teria mostrado que o uso associado da hidroxicloroquina e azitromicina teria sido capaz de curar pacientes com coronavírus.

Essa "estória" repercutida e reproduzida como se verdadeira, foi criada por um investidor em blockchain chamado James Todaro... Ah! Mais ainda, o Vale do Silício correu jundo. A WIRED que fornece acesso gratuito e ilimitado a histórias sobre a pandemia de coronavírus revela como um documento do Google compartilhado no Twitter não é o modo como a ciência geralmente é feita...
FONTES - LINKs: ao final do texto
"A CONVERSA SOBRE uma droga promissora para combater o Covid-19 começou, como costuma acontecer (mas na ciência não), no Twitter. Um investidor em blockchain chamado James Todaro twittou que um medicamento contra a malária de 85 anos chamado cloroquina era um tratamento potencial e preventivo contra a doença causada pelo novo coronavírus. Todaro vinculou a um documento do Google que ele havia escrito, explicando a idéia. Embora quase uma dúzia de medicamentos para o tratamento do coronavírus esteja em testes clínicos na China, apenas um - remdesivir, um antiviral que estava em testes contra o Ebola e o MERS do coronavírus - está em testes completos nos EUA. Nada foi aprovado pela Food and Drug Administration. Portanto, um medicamento promissor seria ótimo - e melhor ainda, a cloroquina não é nova. Seu uso remonta à Segunda Guerra Mundial e é derivado da casca da árvore chinchona, como o quinino, um antimalárico de séculos de idade. Isso significa que o medicamento agora é genérico e é relativamente barato. Os médicos entendem bem e podem prescrever o que quiserem, não apenas a malária. O tweet de Todaro recebeu milhares de curtidas. O mundo da engenharia / tecnologia pegou a ideia. O blog de leitura extensiva Stratechery vinculado ao documento do Todaro no Google; Ben Thompson, editor do blog, escreveu que estava "totalmente desqualificado para comentar", mas que as evidências anedóticas favoreciam a idéia. Ecoando o documento, Thompson escreveu que o documento foi escrito em consulta com a Stanford Medical School, a Universidade do Alabama na faculdade de medicina de Birmingham e os pesquisadores da Academia Nacional de Ciências - nada disso é exatamente verdade. (Mais sobre isso daqui a pouco.) Um dos co-autores de Todaro, um advogado chamado Gregory Rigano, foi à Fox News falar sobre o conceito. O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, twittou sobre isso, citando um vídeo explicativo do YouTubede um médico que vem fazendo uma série de explicadores de coronavírus. Para ser justo, Musk não estava interessado na idéia de não ter mais dados, embora tenha escrito que havia recebido uma dose salva de vida de cloroquina para a malária. É a definição de "grande se verdadeiro". Parte da história do Covid-19, do coronavírus SARS-CoV-2, é que ela é nova . Os seres humanos não têm imunidade a isso. Não há vacina, nenhum medicamento aprovado para tratá-lo. Mas se um medicamento existia - se um medicamento barato e fácil pode evitar as piores complicações que requerem ventilação e às vezes fatais da infecção por coronavírus, ou talvez prevenir essa infecção em primeiro lugar, para que estamos isolando socialmente, como otários? Que se - como diz o ditado - está dando muito trabalho. A pandemia de Covid-19 está causando, razoavelmente, um surto mundial enquanto cientistas e formuladores de políticas correm para encontrar soluções, nem sempre com competência ou eficiência. É o tipo de coisa que irrita a mentalidade de engenheiro-disruptor. Certamente, esse deve ser um problema facilmente resolvido, que é principalmente culpa da burocracia, da regulamentação e de pessoas que não entendem a ciência. E talvez as duas primeiras coisas sejam verdadeiras. A terceira coisa, porém, é onde os riscos se escondem. O Vale do Silício homenageia pessoas que correm em direção a soluções e ignoram problemas; a ciência é projetada para encontrar soluções, identificando esses problemas. As duas abordagens geralmente são incompatíveis . O que aconteceu aqui, especificamente, é que Rigano procurou Todaro. O tweet de Todaro identificou Rigano como afiliado à Johns Hopkins; O perfil de Rigano no LinkedIn diz que ele está de licença de um programa de mestrado em bioinformática e foi consultor de um programa em Stanford chamado SPARK, que faz a descoberta de medicamentos translacionais - encontrando novos usos e pedidos de medicamentos aprovados. "Eu tenho uma experiência muito única na encruzilhada do direito e da ciência", diz Rigano. "Trabalho com grandes empresas farmacêuticas, universidades, biotecnologias e organizações sem fins lucrativos no desenvolvimento de medicamentos e produtos médicos". Ele diz que esses contatos o informaram sobre o uso de cloroquina contra o Covid-19 na China e na Coréia do Sul, então ele começou a ler sobre ele. (Johns Hopkins não retornou uma solicitação de comentário; um porta-voz dos e-mails da Stanford Medical School: “A Stanford Medicine, incluindo a SPARK, não esteve envolvida na criação do documento do Google, e solicitamos que o autor remova todas as referências a Além disso, Gregory Rigano não é consultor da Faculdade de Medicina de Stanford e ninguém em Stanford esteve envolvido no estudo. ”) Acontece que as pessoas lançam cloroquina como antiviral há anos. No início dos anos 90, os pesquisadores o propuseram como um complemento aos medicamentos inibidores da protease precoce para ajudar a tratar o HIV / AIDS. Uma equipe liderada por Stuart Nichol, chefe da Unidade de Patógenos Especiais dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, publicou um artigo em 2005 dizendo que a droga era eficaz contra células primatas infectadas com SARS, o primeiro grande coronavírus respiratório a afetar seres humanos. É um teste in vitro, não animais vivos - apenas células. Nichol não respondeu a um pedido de comentário, mas um porta-voz do CDC enviou um e-mail: “O CDC está ciente de relatos de vários medicamentos sendo administrados para tratamento ou profilaxia para o COVID-19, incluindo aqueles que demonstram atividade in vitro contra o SARS-CoV- 2. Neste momento, é importante garantir que dados clínicos robustos, coletados em ensaios clínicos, sejam obtidos rapidamente, a fim de tomar decisões clínicas informadas sobre o manejo de pacientes com COVID-19. ” Em uma conferência de imprensa da Organização Mundial da Saúde em fevereiro, um repórter do grupo de verificação de fatos Africa Check perguntou se a cloroquina era uma opção. Janet Diaz, chefe de atendimento clínico do Programa de Emergências da Organização Mundial da Saúde, respondeu que a OMS estava priorizando alguns outros medicamentos nos testes junto com o remdesivir e reconheceu que os pesquisadores chineses estavam trabalhando ainda mais. "Para a cloroquina, não há provas de que este seja um tratamento eficaz no momento", disse Diaz. "Recomendamos que a terapêutica seja testada em ensaios clínicos eticamente aprovados para mostrar eficácia e segurança". A cloroquina e uma versão alternativa chamada hidroxicloroquina parecem funcionar contra vírus, inibindo um processo chamado glicosilação, uma transformação química das proteínas na camada externa do vírus que faz parte do processo de infecção. Pesquisadores chineses iniciaram talvez meia dúzia de ensaios randomizados das duas versões em humanos e obtiveram pelo menos alguns dados iniciais promissores. Com esses dados em mente, um pesquisador francês de doenças infecciosas chamado Didier Raoult publicou uma rápida revisão dos estudos in vitro existentes de cloroquina e hidroxicloroquina e (junto com alguns outros pesquisadores ) recomendou não apenas aumentar a pesquisa em humanos, mas também começar a usar os medicamentos clinicamente. (Raoult não retornou um pedido de comentário, mas um publicitário do hospital em que trabalha enviou um link para um vídeo no qual Raoult apresenta dados que ele diz mostrar eficácia em um pequeno grupo de humanos reais. Esses dados não foram publicados ou revisado por pares.) Exceto pelo vídeo, que ainda não havia sido lançado, Rigano montou tudo isso e entrou em contato com Todaro. "Essencialmente, escrevi a publicação com base em minha interface com vários pesquisadores de Stanford e outros, e desenvolvemos esse corpo de evidências e ciência hardcore", diz Rigano. “James, Dr. Todaro, estava fazendo o melhor trabalho, pensei, em qualquer pessoa da mídia, qualquer médico, qualquer agência de notícias, qualquer pessoa no Twitter, ao cobrir o coronavírus. Eu acompanho sua pesquisa em outros itens, como computação descentralizada, há vários anos. ” Todaro, que obteve um MD da Columbia e agora é um investidor de bitcoin, estava interessado o suficiente para colaborar no documento. "Eu adicionei coisas que pertenciam mais ao lado médico das coisas e dei uma sensação mais clínica, acho", diz Todaro. “Algo que a Big Pharma não vai gostar - está amplamente disponível, é bem barato e é algo que pelo menos um milhão de pessoas já está participando. Na verdade, existem muitos aspectos de algo que podem ser lançados rapidamente se os dados clínicos corretos estiverem disponíveis. ” Todaro e Rigano juntos começaram a conversar com Raoult sobre o pequeno estudo que ele estava preparando, e também chamaram um bioquímico aposentado chamado Tom Broker. Ele foi originalmente listado como o primeiro autor do documento do Google, seu nome seguido por "(Stanford)". Foi aí que Broker obteve seu doutorado, em 1972, mas Broker está há anos na Universidade do Alabama, em Birmingham. Sua área de pesquisa é o adenovírus e o papilomavírus humano, que têm DNA como material genético, em oposição ao RNA dentro dos coronavírus. Eles são bem diferentes. Broker diz que não estava envolvido na produção do documento do Google e nunca defenderia o uso de um medicamento sem testes formais. Todaro e Rigano, desde então, removeram o nome dele, a pedido de Broker. “Eu não contribuí, escrevi qualquer parte ou tive conhecimento deste documento do google.com.br. Nunca conduzi pesquisas sobre patógenos do vírus RNA. Não tenho credenciais ou autoridade profissional para sugerir ou recomendar ensaios ou práticas clínicas ”, escreveu Broker em um email. “Aparentemente, fui inserido como autor 'gratuito', uma prática que sempre evitei em meus 53 anos de carreira. Além disso, nunca envolvi nenhuma parte das mídias sociais, privada ou profissionalmente. Todas as minhas publicações científicas são processadas por meio de revisão por pares. Sugiro que você se comunique com um dos autores reais. Questionado sobre a declaração de Broker, Todaro diz que Broker simplesmente não queria se envolver com a atenção que a idéia e o documento estavam recebendo. “Eu não conheço pessoalmente Tom Broker. Minha correspondência foi com o Sr. Rigano ”, diz Todaro. "Quando começamos a receber informações da imprensa, minha impressão foi que o Sr. Broker ficou muito impressionado com isso". Rigano diz que também foi sua impressão. "Dr. Broker é um cientista da mais alta ordem. Ele não está acostumado a esse tipo de atenção da mídia, então nós meio que precisamos continuar sem ele aqui ”, diz Rigano. "Ele não está pronto para a mídia, se tornando uma celebridade." O documento de cloroquina que Todaro e Rigano escreveram espalhou quase - desculpe por isso - viralmente. Mas mesmo que algumas pessoas estejam dizendo que esse é um tratamento, ele ainda não foi submetido a um estudo de controle randomizado em larga escala, o padrão ouro para avaliar se uma intervenção médica como uma droga realmente funciona. Até que isso aconteça, a maioria dos médicos e pesquisadores diria que a cloroquina não pode ser nenhum tipo de bala mágica. “Muitos medicamentos, incluindo cloroquina ou hidroxicloroquina, trabalham nas células do laboratório contra os coronavírus. Foi demonstrado que poucos medicamentos funcionam em um modelo animal ”, diz Matthew Frieman, microbiologista que estuda terapêutica contra os coronavírus na Universidade de Maryland. O que acontece se você colocar os medicamentos em animais? Ninguém sabe ainda. Provavelmente nada de ruim, porque eles são usados há décadas. A ação da cloraquina, diz Frieman, “é conhecida há algum tempo por outros coronavírus, mas nunca se desenvolveu como terapêutica testada em humanos. Há razões para acreditar que isso vai mudar agora, junto com outras terapêuticas que têm eficácia no laboratório. ” Isso ocorre porque o novo coronavírus está incentivando a pesquisa a retomar praticamente qualquer coisa que já tenha mostrado algum efeito sobre os coronavírus, e algumas novas idéias também. Rigano diz que ele e Todaro estão agora realizando seus próprios ensaios clínicos, embora não esteja claro como eles pretendem coletar ou apresentar os dados. Eles esperam que os médicos se inscrevam como sujeitos e depois prescrevam a hidroxicloroquina para si mesmos enquanto tratam pacientes com Covid-19. Quando perguntado sobre o que seria o grupo de controle - médicos que pareciam pacientes que não tomaram o remédio, talvez? --Igano teve algumas idéias. “Você pode usar controles históricos, a taxa de médicos infectados que não usavam hidroxicloroquina regularmente. E se existem médicos que gostariam de participar do estudo que gostariam de não tomar hidroxicloroquina, eles também seriam excelentes controles ”, diz Rigano. “Ético, não queremos que ninguém contrate esse vírus. É realmente um design maravilhoso. ” Rigano diz que está conversando com a equipe de quatro hospitais australianos sobre a realização de um estudo maior e randomizado, depois de um com médicos voluntários. Rigano e Todaro sabem que um documento do Google compartilhado no Twitter não é o modo como a ciência geralmente é feita. Mas eles dizem que não há tempo a perder, que a pandemia está se movendo rápido demais para a ciência tradicional. "Isso levaria meses", diz Todaro. "Eu odiaria apostar em coisas que encontraríamos em meses ou em uma vacina que sai em meados do final de 2021". Eles não são os únicos com essas preocupações, é claro. O modelo mais recente do progresso do Covid-19 do Imperial College London apresenta o pior cenário de pior caso que envolve milhões de mortes, ou distanciamento e proteção social em todo o planeta por mais de um ano. A distância social pode dar aos hospitais uma chance melhor de acomodar e tratar os doentes, mas, com menos força, a doença simplesmente volta. As únicas coisas que mudariam esses resultados são vacinas ou medicamentos." Fonte: WIRED é onde o amanhã é realizado. É a fonte essencial de informações e idéias que fazem sentido para um mundo em constante transformação. - WIRED MAGAZINE LINKs: https://exame.abril.com.bciencia/o-que-e-a-cloroquina-remedio-promissor-contra-o-novo-coronavirus/ https://saude.estadao.com.bnoticias/geral,droga-usada-para-malaria-tem-resultado-positivo-contra-coronavirus,70003240466
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2019.08.20 16:09 Amanda3exceler Intercâmbio na Austrália Mundial Intercâmbio

Intercâmbio na Austrália: país exuberante e cheio de descobertas

O Intercâmbio na Austrália na Mundial Intercâmbio, é a melhor opção em cursos no exterior. Além disso, conheça um país de longas extensões territoriais e população relativamente pequena, são pouco mais de 23 milhões de habitantes. Este intercâmbio é uma ótima oportunidade para trabalhar no exterior e, principalmente, para quem está em busca de uma melhor qualidade de vida.
Caso sua intenção seja estudar na Austrália, você está de parabéns. O país possui as melhores universidades do mundo e o governo australiano investe muito em educação, garantindo alta qualidade no ensino e nos serviços dos estudantes.

Por que fazer Intercâmbio na Austrália?

O governo australiano é muito bom em incentivar os estudantes estrangeiros a fazer o intercâmbio. Além disso, o estudante que quiser poderá trabalhar 40 horas semanais, dependendo do visto escolhido e poderá optar pela renovação do intercâmbio após seis meses.
Quem desejar, poderá conciliar estudo e trabalho, é só escolher o destino certo: Brisbane, Sydney, Adelaide e Melbourne.

Intercâmbio na Austrália: Pontos turísticos

Não conhece a Austrália? São várias atrações e pontos turísticos que vão encantá-lo. Vamos conhecer:

Opera House – Sydney

Um grande marco para a história de Sydney, e com toda certeza um dos principais pontos turísticos de toda a Austrália, a Casa de Ópera localizada em Sidney é tida como referência mundial para os admiradores deste tipo de espetáculo, além de chamar atenção por sua bela estrutura arquitetônica.
O que mais impressiona de tudo, é que o local já foi construído há mais de 40 anos e ainda assim o monumento se mantém como uma obra de arte com uma característica modernista até mesmo para os dias de hoje.

Memorial de Guerra Australiano – Canberra

Um local dentre os mais significativos e representativos para a história dos australianos, o memorial da capital é marcado pela lembrança heroica de todos os atos cometidos por seus compatriotas em defesa da nação em todas as guerras e operações militares em que o país esteve presente. Vale a pena conhecer um pouco da história militar australiana.

Melbourne Cricket Ground – Melbourne

O famoso MCG (Melbourne Cricket Ground) é um símbolo da cultura esportiva australiana, mas principalmente do povo australiano que por si só já é apaixonado pelo esporte.
Apesar do nome bem específico, no estádio também acontece partidas de futebol australiano – não confundam futebol australiano com rúgbi e menos ainda com críquete.
Ambos ajudam a compor a essência do futebol australiano – e também de rúgbi que também faz parte da adoração dos nativos. Tendo a oportunidade, visite um dos lugares que melhor representa a vida de um australiano em seu próprio país.

Museu Marítimo da Austrália Ocidental – Perth

Banhado pelos Oceanos Índico e Pacífico, ir a Austrália e simplesmente não visitar o Museu marítimo da Austrália Ocidental não é uma coisa que você deve fazer. Um passeio muito interativo em um lugar muito grande e rico em cultura. Uma verdadeira aula de aprendizagem sobre a cultura australiana e sua região.

Whitehaven Beach – Whitsundays

O que é visitar um paraíso natural, localizado dentro de uma ilha sensacional? A praia de Whitehaven representa um pouco do universo natural e exótico que podemos encontrar nas terras australianas, fazendo com que os brasileiros se sintam ainda mais confortáveis em visitar um país com condições climáticas semelhantes.

Como é a moeda da Austrália?

Na Austrália a moeda nacional é o dólar australiano, apresentado em cédulas de AUD$ 5, AUD$ 10, AUD$ 20, AUD$ 50 e AUD$ 100.

Qual é a língua oficial?

A Austrália têm como idioma oficial: o inglês. Entretanto, parte da população fala o inglês australiano. Isso acontece devido ao grande número de emigrantes no país.

Motivos para fazer um Intercâmbio na Austrália

Ainda está na dúvida? Pensando nisso, listamos alguns ótimos motivos para quem quer fazer um Intercâmbio na Austrália.

Riquezas naturais e inúmeros pontos turísticos

O país é conhecido pelas inúmeras e belas praias inúmeras belezas naturais como a Grande Barreira de Corais, o Parque Nacional de Uluru. O clima é muito agradável e os tipos de curso, seja para graduação ou pós graduação são inúmeros.
Garanta suas passagens aéreas e venha fazer um Intercâmbio na Austrália pela Mundial Intercâmbio! Entre em contato conosco e tire todas as dúvidas.

Conheça a Mundial Intercâmbio e saiba mais: https://www.mundialintercambio.com.b
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2019.05.09 16:07 Amanda3exceler AUSTRÁLIA

Intercâmbio na Austrália

Venha conhecer um país exuberante e cheio de descobertas

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Quem desejar, poderá conciliar estudo e trabalho e fazer um Intercâmbio em Brisbane, Intercâmbio em Sydney, Intercâmbio em Adelaide e Intercâmbio em Melbourne.

Motivos para fazer um Intercâmbio na Austrália

1-Lago Hiller: de coloração surpreendentemente rosa, o que mais chama a atenção nesta linda beleza natural é que os pesquisadores ainda não conseguiram descobrir as causas que levam o lago a ter essa cor. Ele está localizado em Middle Island, a maior ilha do conjunto composto pelo arquipélago de Recherche.
2-Visita a Sydney: Além de linda e exuberante, ela é surpreendente, além de ser a mais populosa da Austrália. Situada na costa sudoeste do país, é constituída em torno de Port Jackson, que inclui o Sydney Harbour, dando à cidade o apelido de “Cidade Porto”.
O ponto turístico que mais caracteriza a Austrália é a Opera House, além dela a Harbour Bridge é outra referência turística, somente por estes dois exemplos, já seria possível te convencer a fazer um intercâmbio na Austrália, porém, separamos mais alguns motivos para você separar as malas e vir até a terra dos cangurus!!
3-Aproveitar Melbourne: Cidade super moderna e com uma ampla diversidade cultural, possui um grande número de imigrantes, espalhados por toda a parte, ali funcionam as principais multinacionais e sedes de empresas australianas.
4-Observar a natureza e sua vida selvagem: Em nenhum outro lugar será possível observar tanta vida selvagem como na Austrália, é possível observar os animais até mesmo no meio da rua. Em geral, a vida animal é muito respeitada na Austrália, e coalas e cangurus não fazem parte apenas de fotos em cartões postais.

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2019.05.09 14:43 Amanda3exceler COLEGIAL – HIGH SCHOOL

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1-Lago Hiller: de coloração surpreendentemente rosa, o que mais chama a atenção nesta linda beleza natural é que os pesquisadores ainda não conseguiram descobrir as causas que levam o lago a ter essa cor. Ele está localizado em Middle Island, a maior ilha do conjunto composto pelo arquipélago de Recherche.
2-Visita a Sydney: Além de linda e exuberante, ela é surpreendente, além de ser a mais populosa da Austrália. Situada na costa sudoeste do país, é constituída em torno de Port Jackson, que inclui o Sydney Harbour, dando à cidade o apelido de “Cidade Porto”.
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3-Aproveitar Melbourne: Cidade super moderna e com uma ampla diversidade cultural, possui um grande número de imigrantes, espalhados por toda a parte, ali funcionam as principais multinacionais e sedes de empresas australianas.
4-Observar a natureza e sua vida selvagem: Em nenhum outro lugar será possível observar tanta vida selvagem como na Austrália, é possível observar os animais até mesmo no meio da rua. Em geral, a vida animal é muito respeitada na Austrália, e coalas e cangurus não fazem parte apenas de fotos em cartões postais.

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2018.12.23 11:05 guerrilheiro_urbano Los riesgos de otra crisis de deuda, diez años después

A dívida mundial alcança níveis recordes, o que situa a economia em uma posição de vulnerabilidade frente a qualquer mudança que venha ocorrer.

Um dos fenômenos mais peculiares do atual ciclo expansivo da dívida é o fato de que, embora poucas vozes soubessem antecipar a maior recessão desde o crash de 1929, agora levamos anos acumulando avisos de novas crises iminentes, que promete ser tão ou mais graves que em 2008. Isso ao menos permite nos ter uma ideia tanto da solidez da recuperação como da afinada capacidade preditiva da ciência econômica. Contudo, e ainda que sigamos sem saber com o que nos depararemos no futuro, surgem alguns motivos para preocupação. Um deles, do que nos ocuparemos nesse texto, tem a ver com a evolução da dívida global.

A dívida cresceu nessa década de maneira generalizada pelo mundo, mas de forma diferenciada. Vejamos: a dívida total não financeira inclui dívida pública, mais além de empresas não financeiras e famílias. Pois bem, no caso das “economias avançadas” (segundo terminologia do FMI), o crescimento do endividamento veio principalmente do setor público. Enquanto, nas economias “emergentes”, proliferou majoritariamente a dívida privada em geral e a empresarial em particular. A grosso modo, esta dinâmica diferente em uns e outros parece obedecer, no caso das economias desenvolvidas ao processo de desendividamento privado depois da bolha de crédito que derivou na crise. Enquanto nas chamadas emergentes e outras em via de desenvolvimento, a afluência de capitais facilitou o crédito privado, ao que se somaram políticas monetárias mais flexíveis a fim de facilitar com dividia a demanda interna diante uma menor demanda exterior.

Isso é basicamente o que ocorreu na economia chinesa a partir de 2008.

Ainda que as contas do país não estejam muito claras, parece evidente que sua dívida privada cresce a um ritmo insustentável. O setor de bancos-sombra segue extenso e fora de controle, enquanto os bancos com menor tamanho mostram uma elevada vulnerabilidade, tudo isso em um contexto de maior incerteza pelas escaramuças comerciais com os Estados Unidos. Assim mesmo, resultam preocupantes os indícios de um crescente apetite pelo risco por parte dos investidores. Porém a China tem ao menos três elementos a seu favor. O primeiro é o grande arsenal de recursos com que o Estado ainda conta para abordar o problema. O segundo é que, embora sua dívida seja muito alta, a China deve a si mesma. Se trata de dívida interna, mas em sua maior parte é de empresas de propriedade estatal com bancos igualmente controlados pelo Estado. E, como terceiro elemento a seu favor está que o país conta com o controle de capitais.

Em todo caso, a China segue tendo um problema e, tomando as cifras do BPI, o auge do seu endividamento representaria mais de duas terceiras partes de todo o incremento de dívida nos países emergentes durante essa última década. Por outro lado, poderiam sim afetar outras economias emergentes e de outros países em desenvolvimento, receptores de empréstimos bilaterais com a China e cujos fluxos poderiam se ver prejudicados.

O problema do pecado original de empréstimos em outras moedas é que, ao depreciar a moeda local frente à divisa forte na qual está expressada a dívida (geralmente em dólar) implica que o valor de renda se reduz enquanto o pagamento da dívida se encarece, aumentando com isso o risco de inadimplência.

Porém os riscos são mais extensos.

Um recente informe de Goldman Sachs estimava que um terço dos mercados emergentes apresenta vulnerabilidades creditícias, seja por riscos ficais, externos ou ambos. Nesse último grupo (9% do total) se encontram, além da Argentina, Bahrein, Mongólia, Tunísia, Líbano, entre outros. Mesmo assim, a combinação de elevados déficits por conta corrente e baixo nível de reservas com respeito à dívida externa a curto prazo afeta também a Ucrânia, Sri Lanka, Omã, Geórgia, Bielorrúsia ou Tunísia.

Na África, o principal risco se encontra nos países subsaarianos. Em 2017, 40% desses apresentava já um alto risco de problemas de dívida. Isso é, inadimplência ou incapacidade para afrontar o pagamento dos juros. Chade, Sudão, Sudão do Sul e Moçambique já se viram nessa situação. Nem essa, nem outras regiões periféricas apresentam ainda volumes de dívida externa, nem custos dessa equiparáveis à crise dos anos 1980, ou tampouco à crise asiática de 1997. Contudo, na África subsaariana a alta das taxas supõe que o gasto em juros represente já mais de 20% da receita fiscal e mais de 10% do gasto público. Uma tendência insustentável e que parece que FMI e Banco Mundial tenham tardado em advertir. O risco tampouco parece iminente em outras economias periféricas, mas o calendário de vencimento de títulos de dívida ameaça a uma tormenta nos anos vindouros. A situação aparece relativamente calma até 2021, mas parece complicar excessivamente a partir disso.

Primeiro na América Latina em 2022 e mais ainda na África em 2024.

O processo de desendividamento posterior foi lento nos melhor dos casos, ou nem foi em alguns outros. Esse último ocorre em países como Canadá ou Austrália, cuja ratio da dívida privada/PIB seguiu um caminho ascendente depois da crise, apenas revertida recentemente no caso australiano. Também Reino Unido parece recuperar a dinâmica de endividamento privado, embora não alcance ainda os níveis prévios da Grande Recessão.

Japão por sua vez vem de um processo de desendividamento já anterior, e que se remonta ao estouro da bolha financeira no início dos anos 1990. A estratégia seguida pela economia nipônica para reduzir sua ratio de dívida privada desde seu pico em 1994 trouxe consigo o estancamento econômico, o maior volume de dívida pública sobre o PIB do planeta e pressões deflacionistas.

Não parece familiar isso?

Atualmente, em um contexto de taxas de juros hiper reduzidas, o entorno econômico é de baixa rentabilidade, o que aumenta as vulnerabilidades e a ascensão de maiores riscos, com um aumento de financiamento em outras moedas e atividades bancárias para outros países. No caso da Zona do Euro, embora a crise tenha levado a um processo de desalavancagem em empresas e famílias, não conseguiu que o nível médio da área se situe abaixo do período anterior à recessão. Isso foi assim fundamentalmente pelo endividamento empresarial que, ao contrário das famílias, segue em média superior aos níveis pré-crise. Ademais, a ratio de serviço da dívida do setor privado não financeiro, e mais concretamente do empresarial em países como Bélgica, França e Holanda está acima dos seus níveis médios a longo prazo, considerando que a taxa de juros de referência do BCE permanece em 0%. Tudo isso poderia complicar a possível alta de taxas previstas a partir do verão europeu de 2019.

Outro problema importante é o setor bancário.

As baixas taxas de juros estreitam suas margens, enquanto os seus balanços não melhoram. Ainda que as reduzindo, a taxa de morosidade dos empréstimos em não poucos países (inclusive Espanha) supera os níveis pré-crise. Segundo dados da Autoridade Bancária Europeia, na Itália, Portugal, Chipre e Grécia esses níveis estão por cima dos 10% (4,5% na Espanha), com 45,3% no caso grego. Os bancos por sua vez mantém em seus balanços elevadas porcentagens da dívida pública na Bélgica, Portugal, Espanha e Itália. E fora da Europa, igual ocorre no Japão. Isso eleva o risco de transmissão entre crises bancárias e da dívida nacional.

No caso italiano, a atenção midiática se centra nestes dias no pulso de seu governo com a Comissão Europeia por conta de seu orçamento, porém mais crítica resulta a quedo de preços dos seus títulos da dívida pública, sendo a economia da zona do euro cujos bancos detenham a maior porcentagem de título da dívida nacional local a respeito do seu total de ativos. Mesmo assim, a dívida empresarial italiana se encarece desde as eleições passadas. Portanto, mais que a Comissão, parece que o prêmio de risco determinará o orçamento italiano.

Um elemento adicional que evidencia as dívidas que suscita a saúde bancária em numerosas economias industrializadas é que na Zona do Euro, Reino Unido, Japão e China o valor de mercado dos bancos é inferior ao anotado nos livros. Isso é, os bancos valem menos do que dizem valer, o que adverte dificuldades para obter recursos que lhes permitam se recapitalizarem.

Uma nova crise de dívida privada não parece tão iminente. No entanto, as vulnerabilidade se acumulam rapidamente, ao tempo que cresce o apetite pelo risco, incentivado também por baixas taxas de juros. Não existem um limiar concreto da dívida que nos permita dizer quando é demasiada, mas um alto nível de endividamento faz as economias muito vulneráveis frente a qualquer mudanças de expectativas e na percepção do risco.

A Grande Recessão não culminou com uma resposta de políticas que atenderam as causas últimas que propiciaram a crise. Pior, inclusive em casos como Estados Unidos eliminaram os tímidos avanços em matéria de regulação e supervisão financeira. Enquanto o processo de superendividamento pareceu ter se resolvido como quem varre a sujeira para baixo do tapete. A dívida mais que reduzida, mudou de lugar.

A atual dinâmica observada nos coloca algumas perguntas importantes. Uma delas seria sobre uma possível dependência da dívida privada. Ou, visto de outro modo, a baixa produtividade da dívida, na medida em que parecia se requerer um nível crescente para financiar um mesmo impulso econômico. Outra segunda, teria a ver com a relação entre dinâmica de endividamento e desigualdade. Mesmo assim, também a vinculação entre a recuperação com a dinâmica de desendividamento. Um processo lento, em paralelo a um aumento da dívida pública, cuja redução passa a priorizar a atenção em matéria de política econômica. Isso colocaria outra questão relativa ao possível risco moral que suporia a socialização de perdas o efeito das recessões por superendividamento privado. Caberia perguntar se não seria melhor priorizar as políticas públicas para gerir um rápido cancelamento de dívidas privadas, no lugar de uma lenta digestão dessas, conjugadas com políticas de austeridade contraproducentes.

FONTE: https://ctxt.es/es/20181205/Politica/23289/deuda-privada-crisis-economia-antonio-sanabria.htm
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2017.06.21 16:11 feedreddit Theresa May quer lutar contra a islamofobia no Reino Unido? Você está de brincadeira…

Theresa May quer lutar contra a islamofobia no Reino Unido? Você está de brincadeira…
by Mehdi Hasan via The Intercept
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“Houve tolerância demais com o extremismo”, declarou Theresa May, em frente a Downing Street na manhã desta segunda-feira (19), “… e isso significa todo e qualquer tipo de extremismo, incluindo a islamofobia”.
A primeira-ministra britânica estava falando após um brutal ataque terrorista perto de uma mesquita em Londres em que um homem jogou uma van contra um grupo de muçulmanos. O suposto agressor, de acordo com testemunhas, gritou: “Eu quero matar todos os muçulmanos”.
A declaração de May foi bem recebida por vários políticos liberais, bem como pelos principais líderes muçulmanos britânicos, assim como o anúncio da primeira-ministra sobre um reforço nas medidas de segurança nas mesquitas do Reino Unido.
Mas eu tenho quatro palavras para descrever a resposta da primeira-ministra Theresa May: muito pouco, muito tarde.
Por que foi necessário que houvesse um horrível ataque terrorista, resultando na morte de um homem muçulmano desarmado nas ruas de Londres no meio do Ramadã, para levar May a denunciar o ódio antimuçulmano como uma forma de “extremismo”? Por que sangue inocente precisou ser derramado para que a primeira-ministra pronunciasse pela primeira vez a palavra “islamofobia” em voz alta?
E onde estavam suas admoestações anteriores quando os muçulmanos do Reino Unido foram ameaçados por radicais de extrema-direita? May foi ministra do Interior por seis anos, em dois mandatos, sendo encarregada da polícia e dos serviços de segurança. No entanto, durante esse período, ela fez apenas uma referência ligeira às “centenas” de ataques antimuçulmanos no Reino Unido todos os anos, mas se mostrava obsessiva com a ameaça do “extremismo islâmico”. Por que ela não levou a sério uma reivindicação feita por um funcionário do Ministério do Interior, na BBC em 2014, de que a ênfase do governo na “agenda jihadista global” corria o risco de ignorar a crescente ameaça do terrorismo de extrema-direita? Esse funcionário anônimo emitiu um outro duro recado: “Eu não gostaria de chegar ao ponto de que acontecesse algo e, ao olharmos para trás, pensássemos: deveríamos ter olhado para isso aqui também”.
Por que, em 2014, ela se juntou a outros ministros conservadores, alegando de modo absurdo que os extremistas muçulmanos estavam tentando “tomar” as escolas de Birmingham como parte de uma chamada “operação cavalo de Troia”? Uma extensa investigação de um comitê de deputados concluiu que “fora um incidente isolado, nenhuma evidência de extremismo ou radicalização foi encontrada… sequer havia de um plano elaborado sobre essa invasão islâmica”.
Por que, como ministra do Interior, ela se recusou a se envolver ou se reunir formalmente com o Grupo de Trabalho Anti-Islamofobia do Governo? Os professores universitários Chris Allen e Matthew Goodwin, dois especialistas em islamofobia, abandonaram o grupo de trabalho reclamando da falta de apoio do governo conservador e de ministros como May. O grupo, escreveu Allen em 2014, “não teve nenhum espaço, nenhuma influência, nenhum impacto”. Em 2015, Goodwin foi além: “Durante quatro anos, quase sempre desagradáveis, a mensagem passada foi a de que o governo simplesmente não estava interessado em combater o ódio anti-islâmico”.
Polícia na área de Finsbury Park, no norte de Londres, depois que um homem jogou seu veículo contra uma multidão de muçulmanos perto de uma mesquita. (19 de junho de 2017)
Foto: Tolga Akmen/AFP/Getty Images
Por que ela não ofereceu apoio a sua colega ministra Sayeeda Warsi quando ela discursou em janeiro de 2011 sobre o desafio do ódio antimuçulmano no Reino Unido, ressaltando que a islamofobia tornou-se socialmente aceitável no país e “virou um assunto na mesa do jantar”? David Cameron, então primeiro-ministro, se “distanciou” do discurso, enquanto a imprensa de direita lançou ataques maliciosos contra Warsi por ela ter ousado abordar essa questão.
Em seu recente livro “The Enemy Within: A Tale of Muslim Britain“, Warsi – que, em 2010, se tornou a primeira mulher muçulmana a ser nomeada para um ministério no Reino Unido – observa como “seis anos depois do meu primeiro discurso sobre a islamofobia, o único a respeito do tema feito por um político britânico, a formulação de políticas governamentais sobre a islamofobia teve poucos progressos”. Segundo o ex-ministra, “houve pouco financiamento para o trabalho de combate à islamofobia, pouco interesse político na questão, pouco entusiasmo em tratá-la tão seriamente quanto o antissemitismo ou o racismo” enquanto “o discurso político contra os muçulmanos é inflamado”.
Perguntei a Warsi o que ela achava da aparente manobra de 180 graus de May na luta contra a islamofobia. “Fico contente com esta mudança de postura do governo”, me disse, “mas é trágico que tenha sido necessário que houvesse um ataque terrorista para que isso acontecesse”. Warsi acrescentou que ela estava “alertando sobre a ameaça do extremismo de extrema direita e sobre o aumento da islamofobia durante a última década e sempre foi frustrante ver que muitos dos meus colegas [conservadores] não conseguiam se envolver ou mesmo reconhecer a questão”.
Warsi está sendo educada. Muitos políticos do Partido Conservador não só ignoraram a questão da islamofobia, mas se tornaram ativos e interessados atiçadores desse preconceito. Nos últimos meses, enquanto May falou muito sobre o suposto antissemitismo dentro do Partido Trabalhista e dos Liberais Democratas, ela ficou vergonhosamente calada sobre a descarada islamofobia em seu próprio partido.
Por que ela contratou o estrategista político australiano Lynton Crosby – que exortou os conservadores a concentrarem sua campanha nos eleitores de sempre, em vez de tentar atrair “os malditos muçulmanos” – na eleição geral deste ano? Por que nomeou Boris Johnson – que disse certa vez que “o Islã é o problema” e chamou a islamofobia de “reação natural” à leitura do Alcorão – como ministro das Relações Exteriores no ano passado?
Por que a primeira-ministra permitiu que o ex-candidato conservador à prefeitura de Londres Zac Goldsmith saísse candidato a deputado apesar da escancarada campanha islamofóbica feita contra seu rival trabalhista Sadiq Khan no ano passado? O veterano conservador londrino Andrew Boff classificou a retórica anti-islâmica de Goldsmith como “ultrajante” e disse que causou “danos reais” à cidade. A irmã de Goldsmith Jemima – mãe de dois meninos muçulmanos – sugeriu que “a campanha de Zac à prefeitura não tinha integridade”.
Por que May também permitiu a reeleição de deputados conservadores que compararam a burca com um “saco de papel com… dois buracos para os olhos“, que sugeriram que cobrir o cabelo é “uma desculpa para a violência sexual contra as mulheres” e que convocaram as mesquitas no Reino Unido a hastear a bandeira britânica para provar que eles estão verdadeiramente integrados? Aquilo não incomodou a primeira-ministra?
Enquanto isso, os conservadores, sob a liderança de May, escolheram apenas três muçulmanos para concorrer ao Parlamento este ano; nas palavras do veterano comentarista conservador Peter Oborne, “eles desistiram há muito de políticas para atrair o voto muçulmano”. O Partido Conservador, concluiu Oborne, está se transformando lentamente em uma “área sem muçulmanos”.
Área. Sem. Muçulmanos. Como querem que acreditemos que esse mesmo Partido Conservador defenderá os muçulmanos britânicos que estão sendo atacados? Que Theresa May liderará a luta contra o crescimento da islamofobia? Você está achando graça? As observações da primeira-ministra na manhã de segunda-feira não foram apenas muito pouco e muito tarde. Eles foram a definição precisa da palavra hipocrisia.
Foto no topo: a primeira-ministra britânica Theresa May e a comissária da Polícia Metropolitana Cressida Dick conversam com líderes religiosos na Mesquita Finsbury Park em Londres, Inglaterra, em 19 de junho de 2017.
Tradução: Charles Nisz
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